Como a internet funciona?
Espere. Esse é o cabo?
Eu esperava algo muito maior.
PRODUTORA DA VOX
Essa é a internet.
Para cruzar o oceano, quase todo o tráfego da internet
tem que usar um cabo como aquele.
-É pequeno. Estou surpresa. -Você está surpresa.
Eu sei, eu percebi. Adorei.
Vamos pegar capacetes de segurança.
Se estiver vendo esse vídeo
fora dos EUA,
deve estar chegando a você assim.
Pra maioria, a internet é virtual.
É feita de publicações no Instagram, e-mails e vídeos no YouTube.
Mas também é uma coisa física.
E do que é feita e para onde vai é importante
pra como usamos a internet
e quem se beneficiará no futuro.
Então quero saber como nossa internet realmente funciona
e o que vem a seguir.
Na década em que nasci, ainda se aprendia sobre internet,
e ela não era considerada crucial.
Mas penso sobre isso.
E esse lance de internet?
O que é isso exatamente?
Chamam de World Wide Web.
Você pode enviar e-mail.
O que é e-mail?
Acredita no que é possível hoje?
Conversas pelo computador.
Parece que não funcionamos sem ela.
Empregos têm inscrições on-line.
Os pais em todo o país sabem
que os filhos não têm educação adequada
sem acesso à internet.
Pessoas tuitaram pedindo
resgate, e um barco surgiu.
Tem salvado vidas de verdade.
A internet se tornou essencial,
mas muitos de nós ainda não sabemos como funciona.
-Fechem os olhos. -Todos nós?
PRODUTOR DA VOX
PRODUTORA DA VOX
PRODUTOR DA VOX
Fechem os olhos.
Qual a coisa mais louca que veríamos
ao abrirmos os olhos?
-Espero que sejam gatinhos. -Agora podem abri-los.
-Pessoas minúsculas! -Somos nós.
Uma miniatura de nós.
Sei que há três partes importantes da internet.
Estamos no círculo externo. Chamam de última milha,
mas é a primeira e última milha.
PRIMEIRA E ÚLTIMA MILHA
E mensagens enviadas,
assim como notificações e aplicativos que usamos.
Tudo que fazemos para nos conectar ou receber informações
ocorre nessa primeira e última milha.
E estamos no...
Escritório da Vox.
As casas também estão nesse círculo externo.
-Querem me ajudar a pôr? -Sim.
-Árvores. -Todas...
Todas as árvores e casas,
todo o wi-fi, que usa roteadores
em algum lugar de nossos escritórios ou casas.
E serviços de celular,
pagando uma torre de celular
um pouco longe,
mas, ainda assim, bem perto.
Toda essa tecnologia sem fio usa ondas de rádio
para enviar sinais de internet.
Vou mostrar como funciona.
Mas, primeiro, vou tirar uma selfie.
Perfeito.
Essa é a nossa selfie. Eu...
-Joss, sua cara ficou ótima. -É a que uso sempre.
Vou lhe enviar por e-mail.
-O típico e-mail. -O típico e-mail.
-Pronto. -Foi.
Meu objetivo é descobrir
como meu e-mail saiu do meu celular e foi para o seu.
ACHANDO A INTERNET
Para meu e-mail sair daqui para cá,
meu celular pega a foto
e a corta
-em pacotes mais práticos. -Não!
-Fomos decapitados. -Só...
-Só eu. -Só você.
Imagine que cada pacote é uma carta em um envelope.
Cada envelope tem um cabeçalho,
com um pouco mais de informações como...
-De onde vem. -De onde vem, para onde vai
e outras coisas que não vamos falar.
O formato de cada cabeçalho segue regras,
e você pode considerá-las
como regras do sistema postal on-line.
Como tudo é embalado, enviado e recebido na internet.
Você já deve ter ouvido que tudo que acontece
no computador são uns e zeros.
-Código binário. -Sei.
Podemos pensar nisso
como código Morse que o computador entende.
E tudo que você envia pela internet
também é binário.
O quê?
Quando isso aconteceu?
-O quê? -Agora faço mágica.
-Certo. -Incrível.
Cada um ou zero é um bit,
e cada oito bits são um byte.
Se essa foto tinha , megabytes,
são .. uns e zeros.
De alguma forma, esses uns e zeros binários
têm que entrar nas ondas de rádio para serem transportados
-até o roteador, não é? -Exato. Sim.
-Certo. -Foi aí que eu travei.
Liguei para Sundeep Rangan,
especialista em engenharia de informática na NYU.
Como uma onda leva informações binárias?
Ótima pergunta.
PROFESSOR DE ENGENHARIA DE INFORMÁTICA
O mais simples que pode fazer
é, sempre que quiser transmitir, digamos, o zero,
pode transmitir uma frequência.
Sempre que quiser transmitir o um,
transmita em outra frequência.
Contanto que o receptor possa detectar
a frequência, ele sabe se é um ou zero.
É a frequência de modulação.
Pode-se dizer
que um celular é basicamente um rádio?
É um rádio.
Com certeza, é um rádio.
Ondas com informações binárias
têm que sair do celular para o roteador.
Mas, aí, no roteador, elas têm que se tornar outra coisa
que possa sair pelo dispositivo,
por cabos, para chegar ao próximo local.
Depende do que é feito o cabo.
Serão pulsos de eletricidade,
se o cabo for de cobre, ou pulsos de luz laser.
É um laser que liga
com um e desliga com zero.
Mais rápido ainda.
-Um pouco mais rápido. -Mais rápido que isso?
Nossa foto passou de código binário para ondas de rádio,
-para flashes de luz laser, não é? -Sim.
Aonde isso vai depois?
Já vamos descobrir,
mas vou levar o Alex.
-Não me levará? -Não.
É a vez dele. Tenho que ir.
Os cabos que saem do roteador
se ligam a outros cabos no escritório,
que são do nosso provedor de internet
-ou do ISP. -Certo
São responsáveis por ver o cabeçalho
de cada envelope
e por descobrir a rota mais eficiente
para chegar ao próximo local, um hub de internet.
HUBS DE INTERNET
-E onde isso seria? -Ali.
Ali está o hub de internet.
-Esse prédio antigo? -Sim.
-Certo, vamos. -Parece com todos
os prédios de escritório que já vi.
Começou como sede da Western Union.
Ele mantinha os operadores de telégrafo no passado
e migrou para o que hoje
mantém a internet...
GERENTE DE ENGENHARIA DE VENDAS
-...na parte baixa de Manhattan. -Que poético.
Os cabos precisam ir a um lugar como esse
para se conectarem entre redes.
No nosso exemplo, nosso ISP no escritório tem uma rede.
E a AT&T, operadora de celular do Christophe, tem uma rede.
Para o meu e-mail sair do meu celular
e chegar ao celular do Christophe,
todas essas redes têm que enviar uns e zeros
por esses cabos.
GERENTE DE CENTRO DE DADOS
Muita coisa acontece quando você se conecta.
Não existe nuvem
ou qualquer tipo magnânimo de...
-Nuvem é um termo de marketing. -É.
O que acho incrível é
meu e-mail é uma das milhões de mensagens
que passa por esses cabos.
Isso parece muito abstrato, mas é...
Há uma mensagem para a mãe de alguém,
há uma inscrição de faculdade
e uma oferta de emprego.
E um meme legal aqui, em algum lugar.
Meu e-mail se tornou uma série de ondas de luz
que viajou pelos tubos da internet.
E se eu quisesse enviar a algum lugar bem longe?
Algum lugar do outro lado do mundo?
Estamos em Newington para ir a uma fábrica
que mostrará como a internet funciona à longa distância.
Vamos para a ª camada, a espinha dorsal da internet.
ESPINHA DORSAL DA INTERNET
Essa é a estrada do cabo.
O que é isso?
É aonde os cabos vão,
da fábrica para o cais.
A empresa que vamos ver é
a SubCom, uma das quatro maiores fornecedoras de cabo submarino
do mundo.
Lá está o navio.
-É isso aí. -Oi.
-Oi, sou Alysia. -Sou Cleo.
-Prazer em conhecê-la. -Prazer.
Esse é o SubCom Decisive.
É um navio personalizado de instalação e manutenção de cabo.
PRIMEIRA OFICIAL DA SUBCOM
Tem m de comprimento,
que dá cerca de pés.
É.
A engenharia e a ciência dos materiais daqui
são incrivelmente complexas.
Mas o processo básico é muito simples.
A luz entra de um lado do oceano
e sai do outro lado.
Conforme o Decisive se move pelo oceano,
o cabo da internet sai por trás
e desce.
Às vezes, ele é enterrado em fossas oceânicas
por aquela máquina ali.
Na maioria das vezes, fica lá
no fundo do oceano.
Há dois tipos de cabo, dois tipos básicos.
Esse é chamado de cabo leve.
É esse que usamos no meio do oceano.
Essa é a parte
que o arado instala e enterra.
O cabo é feito para ser muito forte de várias formas,
mas também é muito delicado de outras formas.
Os fios que levam as ondas de luz
são feitos de fibra de vidro,
literalmente uma fibra de vidro contínua
do tamanho de um cabelo humano.
Por que existem poucas fibras?
Estamos trabalhando para pôr mais fibras no cabo
e pôr mais dados em cada fibra.
Assim podemos enviar mais informações.
Esse é o tanque do cabo.
Devagar. Estamos com o tubo.
De novo.
Vamos carregar isso no tanque,
em uma bobina contínua, certo?
São dez, toneladas?
Dez toneladas por dia.
Meu Deus. Legal.
Vai acabar sendo uns dias arando.
-Nossa. -É.
São dias no total para preparar e instalar.
Temos min até o cabo começar na estrada.
O que você quer?
O que me impressiona é quanto
trabalho pesado é preciso para fazer a internet funcionar.
Bom trabalho.
Obrigada.
A coisa mais louca é que esse cabo
é um dos iguais a ele
que criam a web pelo planeta.
Vamos colocar aqui
os cabos submarinos da internet
para vermos aonde vão.
Christophe, você fica com a África,
e vou lhe dar parte da Europa.
Adoro o que atravessa os Grandes Lagos.
Querem ver como é a internet?
-Com certeza. -Certo.
Que loucura.
Tem todo esse metal aqui.
Parece que um tubarão morderia isso facilmente.
-Eu ia dizer o mesmo. -Que bom que você disse isso.
-Isso acontece? -Sim.
Existe um vídeo de um tubarão
mordendo um cabo de internet como esse.
-Aí está ele. -Ele é grandinho.
Grandinho.
-Não é gostoso. -Deve ter doído.
-Coitado. -Ele não gostou.
Depois que esse vídeo viralizou em ,
o Comitê de Proteção de Cabo da Internet
divulgou um relatório que tem meu título favorito
"Tubarões não são inimigos da internet."
A grande maioria de falhas é causada por atividade humana.
-Pescaria, âncoras. -Âncoras.
-Perfuração. -Coisas assim.
O Reino de Tonga
ficou sem celular e internet
após uma falha num cabo submarino de fibra ótica
que cortou sua conexão principal com o mundo.
Em janeiro de , especialistas achavam
que um petroleiro tinha arrastado uma âncora pelo fundo do mar,
o que causou um grande problema para Tonga.
Onde está o problema? Se for na terra,
seja em Tonga ou em Fiji, conserta-se rápido.
Mas se for na água?
Vai levar muito tempo.
E levou dias para a internet voltar.
-Treze dias. -Longos dias e noites.
Isso é muito tempo.
Se você morar num desses lugares muito conectados,
como os EUA ou muitas outras partes do mundo,
é muito improvável
que a âncora que cortou parte da sua internet
interrompa seu serviço.
Mas o que houve em Tonga chama atenção
para a importância dessa infraestrutura
e como dependemos dela.
Acho que nunca vivi numa época
em que essas ferramentas não estavam no meu dia a dia.
É meio triste isso não estar disponível para todos.
Sim, exato.
Há muitas pessoas que ainda
não têm acesso confiável à internet.
Queria saber como poderíamos resolver isso.
BEM-VINDO AO AEROPORTO MUNICIPAL DE WINNEMUCCA
Viemos em Nevada ver uma empresa
que está ajudando mais pessoas a acessar a internet.
Mas, antes de irmos lá, tenho alguns mapas para mostrar.
Isso é um mapa básico da espinha dorsal da internet dos EUA.
Pode ver, ao olhar esse mapa,
por que alguns podem ter dificuldade em ter
internet rápida e barata.
As empresas não são incentivadas a pôr cabos de fibra ótica
onde há menos pessoas para pagar pelo serviço.
Ocorre o mesmo nas áreas pobres.
Esse mapa mostra áreas que pesquisadores chamam
de não lucrativas para empresas, em vermelho.
Significa que o custo mensal
excede a receita mensal esperada.
CUSTO > RECEITA
Em muitas áreas vermelhas, o povo só tem uma
ou duas opções de provedores de internet,
o que significa que esses provedores podem aumentar o preço.
Quanto mais escuro o país, mais gente
paga por internet.
Há uma grande variedade pelo mundo,
até nos países, em termos de quem tem acesso
à internet e a que custo.
Isso tem um grande impacto nas pessoas.
CONSTRUINDO A PRÓXIMA INTERNET
Se você não ouviu falar de G,
prepare-se para uma conexão mais rápida.
O G pode ser cem vezes mais veloz
do que o que temos.
Em vez de uma torre de celular a alguns quilômetros...
-É. -...G requer que precisemos
de uma antena em cada quarteirão.
Espere.
O que é G e por que seria tão rápido?
Se lembra das ondas de rádio?
Uma das maiores inovações do G é poder
usar ondas de alta frequência.
Em altas frequências, é possível ter mais informações
em cada onda. Aqui está a pegadinha.
Em altas frequências, é mais fácil bloquear essas ondas.
A luz visível tem frequência muito alta,
e posso bloqueá-la com minha mão.
Isso não é problema para fibra ótica
porque são basicamente túneis de luz laser de vidro longo.
Mas o G tem que alcançá-lo sem fio onde você estiver.
Eles precisariam de muito mais
infraestrutura física.
Claro, infraestrutura nova custa dinheiro.
O incentivo das empresas
para colocar o G é o mesmo de antes.
Em cidades, não em áreas rurais,
em comunidades ricas, não em pobres.
O G pode ser um jeito emocionante de melhorar a internet
para pessoas que já têm acesso rápido.
Mas a tecnologia necessária não deve ajudar quem não tem.
Pelo menos, não tão cedo.
PARE - ÁREA RESTRITA SOMENTE PESSOAS AUTORIZADAS
Viemos ver a Loon.
Eles enviam balões
à estratosfera para dar acesso à internet
a pessoas no chão, através de ondas de rádio.
A Loon é uma empresa...
GERENTE SÊNIOR DE PROGRAMA
...voltada aos não conectados e mal conectados.
A Alphabet é dona da Loon, Google
e YouTube, que bancou a série.
Mas a Loon não opinou sobre nosso editorial.
Não podem lançar um balão hoje
porque teve uma grande tempestade ontem.
O que também mostra
como muitas coisas são peculiares.
Mas temos que imaginar
que tem um balão lá,
que é lançado no céu daquela coisa vermelha grande,
e usa vento estratosférico
para ir ao próximo local,
que pode ser do outro lado do mundo.
Você pode ver um número de balões aqui
na América do Sul, e pode ver
a que altitude estão. A mil metros.
E onde estão voando.
Isso é a incubadora. É onde construímos
e testamos todos os nossos sistemas de voo
antes de serem lançados.
-Esse é o balão. -É o balão.
E a parte que voa com o balão...
É o sistema de voo e os painéis solares.
Entendi.
E o cérebro disso está na caixa...
Nessa caixa?
...sendo esfriada pelos ventiladores.
Colocamos uma estação terrena
num ponto estratégico para ver o céu.
De lá, ela se comunica com um balão.
Os balões podem se comunicar
e fazem isso por ondas de rádio.
Um desses balões,
acima do seu celular,
envia e recebe frequências
que chegam ao seu celular.
Um dos melhores exemplos
com que ficamos muito animados...
Quando o Furacão Maria
atingiu Porto Rico e o Caribe,
pudemos colocar balões acima de Porto Rico.
E, em algumas semanas, pudemos atender
cerca de mil assinantes.
É o suficiente saber
que um usuário no solo
pôde enviar uma mensagem, um e-mail,
um recado a um ente querido ou algo do tipo.
Amazon tem o Projeto Kuiper. SpaceX, o Starlink.
Parece que isso é algo em que, cada vez mais,
-as empresas se concentram. -É.
Quanto mais, melhor. Há muita gente para se conectar.
São sistemas no espaço ou perto
que usam ondas de rádio para dar acesso à internet.
É a razão de ser improvável
que substituam os bons e velhos cabos.
As ondas de rádio, a luz laser
e os diferentes tipos de tecnologia
que ajudam a acessar a internet
precisam trabalhar juntos no fim.
Não queremos substituir fibra ou satélites.
São tecnologias complementares.
Ir ao espaço ainda é novidade.
Acredito nas chances de sucesso.
Pelo menos, no período a seguir.
A internet não é um luxo. Não queremos só nos conectar,
precisamos nos conectar para fazer parte dessa enorme,
crucial e, às vezes, irritante comunidade global.
Enquanto vê as notícias, envia mensagem
ou vê um vídeo no YouTube, considere isso
nossas conexões nunca foram virtuais.
São físicas, e ainda há muito trabalho em andamento.
Ei. Quer mais episódios de Glad You Asked?
Pode achá-los aqui
e pode achar mais do YouTube Learning aqui.
Glad You Asked, YouTube Learning.
Qual é a sua reação?











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